CEREST Pernambuco participa de seminário sobre saúde mental e mundo do trabalho
Nos dias 15 e 16 de setembro de 2026, o Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco — CES/PE realizou o Seminário Saúde Mental e o Mundo do Trabalho, organizado pela Comissão de Saúde Mental e pela Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.
O Cerest Estadual realizou palestra sobre a temática “A atuação da Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora na proteção da saúde mental dos trabalhadores”, o encontro promoveu diálogos e reflexões sobre os desafios relacionados ao adoecimento mental no mundo do trabalho, as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 — NR-01 e a responsabilidade dos diferentes atores na promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.
A participação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Pernambuco — CEREST-PE, destacou o papel estratégico da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora — Renastt e dos Cerest na identificação, prevenção e enfrentamento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Durante o seminário, foi ressaltado que o CEREST atua como retaguarda técnica, apoio matricial e espaço de educação permanente para as equipes dos diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde do SUS.
A atuação do CEREST também contribui para compreender e transformar as condições, a organização e os processos de trabalho que podem produzir sofrimento e adoecimento mental.
Os transtornos mentais relacionados ao trabalho podem incluir ansiedade, episódios depressivos, esgotamento profissional — burnout, estresse pós-traumático e diferentes manifestações psicossomáticas, como irritabilidade, choro fácil e taquicardia.
Esses agravos podem surgir ou se intensificar em contextos marcados por sobrecarga, pressão por metas, assédio, jornadas extensas, baixa autonomia, insegurança, violência, precarização e outras formas de organização do trabalho que afetam a saúde dos trabalhadores.
Em 2025, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, passaram a representar o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil. O cenário reforça a necessidade de ampliar a vigilância, a notificação e o cuidado integral em saúde mental relacionada ao trabalho.
Em Pernambuco, foram registradas 216 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho em 2025. Em 2026, até a data de captação dos dados, foram registradas 135 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho. Os dados são do Sinan/SEVS/SES-PE e estão sujeitos a atualização.
Outro destaque do seminário foi à discussão sobre a NR-01 e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais — GRO. A norma amplia a compreensão sobre os riscos presentes nos ambientes e processos de trabalho, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados à organização e às condições laborais. Nesse contexto, a Saúde do Trabalhador no SUS tem o papel de atuar na vigilância, no diagnóstico, na assistência e na articulação intersetorial, contribuindo para que as medidas de prevenção e gerenciamento dos riscos sejam efetivamente implementadas.
Entre os desafios apresentados estão à ampliação das notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho, a qualificação das equipes de vigilância, o fortalecimento da articulação com a Rede de Atenção Psicossocial — RAPS e a realização de ações sobre os ambientes e processos de trabalho. Também foi destacada a importância da construção de uma Diretriz Nacional de Vigilância em Saúde Mental do Trabalhador e da Trabalhadora, com participação dos CEREST, da RENASTT, dos trabalhadores e das instâncias de controle social. O grande desafio não é apenas identificar o risco. É fazer com que essa identificação produza transformação no ambiente e no processo de trabalho.
Promover a saúde do trabalhador e da trabalhadora não significa apenas cuidar de quem adoeceu. Significa também intervir sobre aquilo que está produzindo o adoecimento, fortalecendo a prevenção, a participação social e a defesa do trabalho digno.
O seminário reafirmou que a proteção da saúde mental exige compromisso coletivo e atuação articulada entre SUS, trabalhadores, empregadores, sindicatos, movimentos sociais, controle social e demais instituições envolvidas com a defesa da vida e da saúde.
Acesse a apresentação do CEREST Estadual /PE e o último informe sobre Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho.