Historicamente, a luta operária que deu origem ao 1º de Maio nascia de corpos exaustos, de longas jornadas de trabalho e de mortes evitáveis. Mais de um século depois, as formas de adoecimento mudaram de rosto, mas não desapareceram.
O corpo paga a conta. Lesões por esforços repetitivos, lombalgias, perda auditiva, intoxicações químicas..... a lista é extensa.
Os dados de afastamento por acidentes e doenças relacionadas ao trabalho continuam alarmantes. Para milhões de brasileiros, o trabalho é sinônimo de agravo ou doença.
A mente também adoece. Metas inatingíveis, assédio moral, precarização dos vínculos, medo permanente do desemprego. A síndrome de burnout, a ansiedade e a depressão relacionadas ao trabalho crescem em ritmo epidêmico e frequentemente são invisibilizadas ou tratadas como "fraquezas individuais ".
Desigualdades se reproduzem. Trabalhadoras negras, pessoas com deficiência, jovens em primeiro emprego e trabalhadores informais enfrentam condições mais precárias, menor proteção e maiores riscos. O adoecimento pelo trabalho não é democrático; ele é determinado socialmente.
O trabalho é uma categoria central na vida das pessoas, seja porque em vários casos dá sentido à vida das pessoas (como também ser fonte de sofrimento), mas também define a renda, o acesso a moradia e a alimentação, o tempo para lazer e o convívio familiar, a exposição às cargas biopsicossociais . A forma como uma sociedade organiza o trabalho é, em grande medida, a forma como ela distribui saúde e doença.
Celebrar o 1º de Maio com seriedade é comprometer-se com um horizonte diferente:
• Ambientes de trabalho dignos, com controle efetivo de riscos e participação real dos trabalhadores nas decisões que afetam sua saúde;
• Jornadas compatíveis com a vida, que permitam descanso, vínculos afetivos e cuidado de si;
• Combate ao assédio e à discriminação, com mecanismos de denúncia que protejam e não punam quem fala;
• Proteção social ampliada, especialmente para quem está na informalidade;
• Vigilância em saúde do trabalhador (a) fortalecida, com notificação adequada, investigação de causas e transformações de ambientes e processos de trabalho.
Neste Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que a pergunta seja “como está o seu trabalho, e o que podemos fazer, coletivamente, para que ele deixe de ser fonte de adoecimento?”
Viva o 1° de maio, viva a luta do trabalhador e da trabalhadora!











