21 de jan. de 2020

Agradecemos pelos 50.000 acessos!

O blog da Vigilância em Saúde do Trabalhador é uma das ferramentas utilizadas pelo Cerest Estadual Pernambuco para divulgação das ações e informações produzidas pela equipe de Saúde do Trabalhador no estado. Desde 2017 este ferramenta vem se consolidando e possibilitando o compartilhamento e acesso a materiais produzido pelo Cerest e parceiros da Renast. 

Agradecemos a todas(os) que utilizam e contribuem para manter esta ferramenta ativa e esperamos que cada dia mais esta sirva como um canal de diálogo e informação para a rede e para os trabalhadores no geral. 



17 de jan. de 2020

Informe Acidente de Trabalho Grave - 4º Trimestre de 2019

A área técnica de Acidente de Trabalho Grave (ATG) divulga o informe referente as notificações ocorridas no período de janeiro a dezembro de 2019. Ao todo, foram 2.252 casos de ATG notificados, sendo destes, 64% referente a acidentes típicos e 30% a acidentes de trajeto. A principal unidade notificadora foi o Hospital Regional do Agreste, responsável por 20% das notificações de ATG no estado. 

As informações foram coletadas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em 07 de janeiro de 2020. Para acessar o informe completo, clique aqui ou na imagem abaixo. 




3 de jan. de 2020

Janeiro Branco: é preciso falar da relação saúde mental e trabalho e nos seus impactos à saúde dos trabalhadores


CAMPANHA JANEIRO BRANCO 

Projeto iniciou- se em 2014 e vem tendo adesão em vários estados do país.

Segundo site da campanha, são eixos estruturantes da mesma: 

Campanha Janeiro Branco: uma campanha dedicada a convidar as pessoas a pensarem sobre suas vidas, o sentido e o propósito delas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e sobre os seus comportamentos.
Campanha Janeiro Branco: uma campanha dedicada a colocar os temas da Saúde Mental em máxima evidência no mundo em nome da prevenção ao adoecimento emocional da humanidade.
Campanha Janeiro Branco: uma campanha dedicada a sensibilizar as mídias, as instituições sociais, públicas e privadas, e os poderes constituídos, públicos e privados, em relação à importância de projetos estratégicos, políticas públicas, recursos financeiros, espaços sociais e iniciativas socioculturais empenhadas(os) em valorizar e em atender as demandas individuais e coletivas , direta ou indiretamente, relacionadas aos universos da Saúde Mental. (Fonte: janeirobranco.com.br). 
SAÚDE MENTAL E TRABALHO
*Paulo Lira (Sanitarista, Apoiador em Visat do  Cerest Estadual Pernambuco)
É fato que vivemos uma "epidemia" dos transtornos mentais, muitos desses, originados ou agravados pelo trabalho [1]. Dados nacionais do observatório de segurança e saúde no trabalho, referente ao período de 2012 a 2018, apontam para um perfil de afastamento dos trabalhadores (só considerando os auxílios B91 - Auxilio-Doença Acidentário) com doenças relacionadas à saúde mental ocupando lugar de destaque. Neste período, foram 19.729 casos relacionados à Depressão e Episódios Depressivos (10º lugar nos afastamentos relacionados ao trabalho); 17.163 afastamentos por Transtornos Ansiosos e Fóbicos (12º lugar); Episódios Depressivos e Depressões com 6.423 casos; Stress e Adaptação com 2.930 afastamentos; outros transtornos mentais 2.394 casos e uso de Álcool e Substâncias 1.837 casos [2]. No Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), no período de 2007 a 2018, foram 10.237 casos de Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho. Em Pernambuco, no mesmo período, foram 685 notificações de transtornos mentais relacionadas ao trabalho [2]. Ainda é necessário ressaltar a já sabida subnotificação dos casos e dificuldades no estabelecimento do nexo causal entre trabalho e doença [3].
No entanto, os dados registrados revelam apenas a "ponta do iceberg". Para compreender a estrutura e dinâmica desse processo, é necessário avançar para além da expressão singularizada da doença, embora esta seja importante e passível de intervenção, para a compreensão da dinâmica social que é determinante para o aumento destes casos. 
Estresse, ansiedade, mal estar, fadiga, falta de prazer em realizar atividades corriqueiras, medo, insegurança são expressões cotidianas sentidas por muitos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. Não à toa o mundo do trabalho passou (e vem) passando por mudanças contemporaneamente, em um processo denominado inicialmente de "Reestruturação Produtiva" . O contexto político e econômico também sofreu importantes mudanças nesse período, com destaque para o "enxugamento" do papel do Estado nas políticas sociais, consequente privatização de serviços públicos e mudanças nas condições, relações, organização, processos e ambientes de trabalho [4]
Essas mudanças perpassam necessariamente por um processo de precarização social do trabalho, que mediata ou imediatamente, influenciará na saúde dos trabalhadores. Assim, se faz necessário apontar breves reflexões sobre estas mudanças ocorridas no mundo do trabalho que parecem ser ponto central para o entendimento do aumento do adoecimento biopsíquico dos trabalhadores. 
Na esteira da precarização do trabalho esta o processo de flexibilização dos vínculos trabalhistas, com expansão das terceirizações, contratos temporários, intermitentes e a expansão alarmante da informalidade, com empregados contratados sem carteira assinada, autônomos e conta própria (e sua infinidade de funções). Vínculos que estão entrelaçados em vários processos produtivos, dando adeus ao estatuto de "trabalhador estável". O impacto é evidente: aumento dos acidentes de trabalho entre terceirizados, menor remuneração, aumento da rotatividade no trabalho, corte em benefícios indiretos para familiares dos trabalhadores, responsabilização pelo processo de formação para garantia da empregabilidade até a expressão mais precarizada de um trabalhador "quase sem direitos" como os ambulantes, entregadores de aplicativos, entre outros, aos quais restam as subfinanciadas Saúde Pública e Assistência Social [5]. As condições de trabalho também são as mais diversas possíveis, mas os mecanismos citados anteriormente confluem para que estas sejam piores, chegando à casos de o(a) próprio(a) trabalhador(a) se responsabilizar pelas condições de saúde e segurança de "seu" ambiente de trabalho (o tão alardeado empreendedorismo!). O município de Toritama, na fabricação de peças de jeans, é um laboratório a céu aberto desta condição. 
Na organização do  trabalho, apesar do incremento tecnológico em vários setores, ampliam-se e articulam-se jornadas mais longas, por meio de horas extras, banco de horas, a um processo de intensificação do trabalho, que demanda dos trabalhadores mais gasto de energia, seja essa física, psíquica e/ou emocional. "Com um limão fazer uma limonada!" é lema na empresa enxuta! Com isso, se expande a taxa de desemprego ao mesmo tempo que exige-se polivalência, proatividade dos trabalhadores ainda empregados e assustados pelo fantasma do desemprego. Complexos processos subjetivos originam-se desta trama, onde há um reforço ao individualismo, a competitividade em detrimento da ação coletiva e organizada.  Assim, elementos "identitários" dos trabalhadores são "borrados" na tentativa de construção de uma falsa identidade de colaborador, empreendedor, time ou família, muitos desses utilizados à contragosto dos trabalhadores. A invasão do tempo de trabalho nos tempos de não trabalho (lazer, descanso, estudo, família) é notável, seja com o constante "monitoramento" da tecnologia via aplicativo de mensagens, seja pela necessidade de extensão das jornadas para garantia da renda mínima para suprir necessidades básicas. 

Estresse, ansiedade, mal estar, fadiga, falta de prazer em realizar atividades corriqueiras, medo, insegurança são expressões cotidianas sentidas por muitos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. Voltamos de onde partimos, mas agora com alguns elementos que nos permitem articular a dinâmica estruturante da determinação social da saúde mental dos trabalhadores. Podemos assim construir ações temáticas (como o janeiro branco) atreladas a processos contínuos e intersetoriais, sempre com a participação dos trabalhadores, que explicitem o adoecimento, mas que também incidam, minimamente (dentro de todas as limitações), nas determinações do adoecimento mental da classe trabalhadora. 

*o texto reflete a opinião do autor, não necessariamente da instituição. 

Se interessou pelo tema e quer saber mais?  Acesse os materiais:

1)Cartilha:  Atenção ao sofrimento e ao adoecimento psíquico do trabalhador e da trabalhadora;
2) Artigo: As novas relações de trabalho, o desgaste mental do trabalhador e os transtornos mentais no trabalho precarizado (FRANCO; DRUCK; SILVA, 2010)
Referências 

[1] https://www.anamt.org.br/portal/2019/04/22/transtornos-mentais-estao-entre-as-maiores-causas-de-afastamento-do-trabalho/
[2] Dados previdenciários exclusivo para trabalhadores contribuintes. Os dados do Sinan se referem a todas as formas de trabalho "formal" e "informal".

[4] ANTUNES, Ricardo; PRAUN, Luci. A sociedade dos adoecimentos no trabalho. Serv. Soc. Soc, São Paulo, v. 23, n. 1, p.407-427, jul./set. 2015.

[5] CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES. Secretaria Nacional de Relações de Trabalho e Departamento Intersindical. Precarização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha. São Paulo: Central Única dos Trabalhadores, 2014. 56 p.

27 de dez. de 2019

Monitoramento de Mídia ATG - Outubro - Novembro de 2019

A área técnica de Acidente de Trabalho Grave (ATG) divulga o monitoramento de mídia referente aos meses de outubro e novembro de 2019. Por meio desta estratégia foram identificados nos referidos meses, 13 casos suspeitos de ATG, dos quais 9 tiveram desfecho fatal. Para acessar o monitoramento completo, clique aqui. 


17 de dez. de 2019

Seminário Saúde do Trabalhador das Telecomunicações ocorreu no último 12 de dezembro

Mesa de Abertura (Sinttel/Lasat/Cerest Estadual)
No último dia 12 de dezembro ocorreu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado de Pernambuco (Sinttel/PE) o Seminário "Saúde dos Trabalhadores das Telecomunicações". O evento foi organizado em parceria do Sinttel com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de Pernambuco (Cerest Estadual Pernambuco), o Laboratório Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat/Fiocruz/PE) e a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). O evento contou com a presença de trabalhadores de rede externa, teleoperadores, representantes sindicais, trabalhadores da rede de atenção à saúde do trabalhador, controle social da saúde, academia, Tribunal Regional do Trabalho 6ª região, entre outros. Também foi registrada homenagem póstuma ao Sanitarista, Carlos Cazumbá, profissional atuante em defesa da saúde dos trabalhadores que faleceu na última semana. 

A mesa de abertura do evento foi composta pelas instituições que estão organizando a pesquisa em telecomunicações (Cerest Estadual, Sinttel/PE e Lasat/Fiocruz-PE). Os presentes ressaltaram a importância da realização da pesquisa, da publicização dos dados coletados e, sobretudo, da necessidade de intervenções qualificadas em prol da Saúde dos Trabalhadores. Marcelo Beltrão, presidente do Sinttel, reforça a questão: "Estudos sobre a saúde dos trabalhadores de Telecom são escassos no país, em Pernambuco estamos construindo um material inédito e que servirá para outros estados".

Professor Diego Souza

Em seguida, o Prof. Dr. Diego de Oliveira Souza, do programa de pós-graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) conduziu o painel temático "A Saúde dos Trabalhadores na atual conjuntura". O professor enfatizou as mudanças recentes ocorridas em todo mundo do trabalho a partir da década de 1970 e "reforçadas" nos anos 1990 no Brasil, caracterizando como um processo de crise estrutural do capital. Essas mudanças são agudizadas nos últimos governos com a aprovação da reforma trabalhista, lei das terceirizações, mudanças nas Normas Regulamentadoras (NR's), no avanço da informalidade e outras formas precárias e flexíveis de trabalho, como o emblemático processo de "uberização". Diego ainda enfatizou a importância das ações de Saúde do Trabalhador em uma perspectiva de construção e organização coletiva, além da necessidade de fortalecimento da classe trabalhadora em espaços para além dos institucionais. 

Ao comentar sobre o seminário o professor colocou: "O Seminário "Saúde do Trabalhador das Telecomunicações" apresentou uma perspectiva que, embora rara, é extremamente necessária na atual conjuntura. Isto porque trouxe um trabalho coletivo que envolveu diversas instituições como academia, serviços de saúde, Fundacentro e, sobretudo, os próprios trabalhadores. Inclusive, é preciso registrar a importância que tais ações ocorram com o protagonismo dos trabalhadores, assim como foi o seminário". 

Também houve exposição e venda do livro lançado pelo Professor Diego Souza "Saúde do(s) Trabalhador(es): análise ontológica da "questão" ao "campo".

Público presente no evento 

Apoiador em Visat Paulo Lira 
O segundo painel temático "A situação de Saúde dos Trabalhadores de Rede Externa" foi apresentado pelo Apoiador em Vigilância em Saúde do Trabalhador do Cerest Estadual, Paulo Lira. Paulo fez um apanhado geral sobre o desenvolvimento da pesquisa desde seu início em 2017, com a categoria de teleoperadores até a finalização da 2ª etapa com os trabalhadores de rede externa. Continuando a apresentação o facilitador  ressaltou que as informações ali apresentadas são parte do processo mais amplo abordado pelo professor Diego na mesa anterior e que necessitam de uma abordagem coletiva e profunda do problema. Foram apresentados dados relacionados a situação de saúde dos trabalhadores de rede externa, sobretudo, enfatizando a necessidade de intervenções que atuem sobre o processo de intensificação do processo de trabalho e extensão das jornadas de trabalho, pois foi identificado que cerca de 94% dos entrevistados realiza horas extras rotineiramente. Os principais problemas relacionados a saúde relatados pelo trabalhadores foram: dores em membros inferiores, dores em coluna, cansaço recorrente, estresse, entre outros.

O último painel  foi dedicado ao pré-lançamento da cartilha "Saúde e Segurança dos Trabalhadores no Serviço de Telecomunicações" organizada em parceria do Sinttel com a Fundacentro, Máximo/SMS e Ranger/SMS. O trabalho também foi iniciado em 2017 e a cartilha está organizada em quatro partes: 1)introdução; 2)Trabalho em altura; 3)Trabalho em Espaços Confinados e 4)Assédio Moral no trabalho.

Homenagem ao educador Hélio Lopes

Ao final do evento o educador da Fundacentro, José Hélio Lopes, foi homenageado, pelo Sinttel. Hélio é um importante agente da saúde do trabalhador no estado de Pernambuco, com diversos serviços e trabalhos voltados para a promoção e prevenção da saúde dos trabalhadores. 

16 de dez. de 2019

Oficina Semestral de Saúde do Trabalhador é realizada em Recife



Nos dias 10 e 11 de dezembro foi realizada, no auditório do Sinttel, a Oficina Semestral de Saúde do Trabalhador de 2019, promovida pela Gerência Estadual de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador (Gvsat/SES-PE) e pelo Cerest Estadual de Pernambuco. O encontro teve por finalidade realizar o balanço das atividades de 2019 pelos Cerest Regionais, Geres e Referências Técnicas em Saúde do Trabalhador do Estado de Pernambuco, bem como o planejamento das atividades a serem realizadas em 2020. Estiveram presentes os Cerest Regionais Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Goiana, Jaboatão dos Guararapes, Palmares e Recife. Além dos trabalhadores dos Cerest, o evento contou com a presença Referências Técnicas em Saúde do Trabalhador da I, II, III, XI e XII Geres, além de trabalhadores de vários municípios do estado e de representantes da Cisst/PE. Esta oficina teve como diferencial a apresentação de uma pactuação entre os Cerests Regionais e o Cerest Estadual de metas fixas através de uma agenda anual uniforme para o ano de 2020.

O primeiro dia iniciou com uma apresentação musical da apoiadora institucional do Cerest Estadual, Janaína Pacheco, e o músico ,Villa Brayner, que visava à integração dos participantes da oficina, seguida por coffee-break. A apresentação de abertura da oficina foi realizada por Adriana Campos Gerente Estadual de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador, que apresentou a pauta. Em seguida, os Cerest Regionais apresentaram o balanço anual das ações realizadas em 2019. 

No período da tarde a  Drª. Luciani Burichel  da Unidade de Apoio Psicossocial (UNIAPS) realizou uma dinâmica que teve por objetivo  melhorar a concentração dos participantes. Neste período foi apresentada por Adriana Campos a proposta de agenda anual fixa para os Cerest regionais para promover o alinhamento das ações e direcionar algumas ações estruturadas. Os planos de ação foram estruturados de acordo com os eixos: Eixo 1 – informação em saúde; Eixo – 2 Investigação de  Acidente de Trabalho Grave (ATG); Eixo – 3 Ação educativa com trabalhadores; Eixo – 4 Educação em saúde com a rede de saúde; Eixo – 5 Inspeção em Saúde do Trabalhador; Eixo – 6 Plano de Vigilância em Saúde de Populações Expostas  à Agrotóxicos ( VSPEA) / Cadastro; Eixo – 7 Plano de Vigilância em Saúde de Populações Expostas  à Agrotóxicos ( VSPEA) / Oficinas; Eixo – 8 Indicadores em Saúde do Trabalhador; Eixo -9 Realização seminário temático; Eixo – 10 Eventos / Colegiados em Saúde do Trabalhador.

No dia seguinte foi apresentado pelos Cerest Regionais e Geres o planejamento e  a pactuação das ações da agenda anual fixa para 2020. Para encerrar a oficina, foi realizado o sorteio de nove unidades do livro “ Entre o Tripalium e a Revolução 4.0: saúde e segurança no trabalho” da Editora RTM Educacional, e doze cartilhas intituladas “ Combate ao assédio moral no TRT 6” do TRT 6ª REGIÃO Pernambuco.




12 de dez. de 2019

I OFICINA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE DE POPULAÇÕES EXPOSTAS A AGROTÓXICOS – MUNICÍPIO DE BARRA DE GUABIRABA.

3 de dezembro dia mundial de combate ao uso de agrotóxicos 

A história de luta contra o uso de agrotóxicos vem da década de 80, quando ocorreu um acidente numa fábrica. À meia-noite do dia 3 de dezembro de 1984, 40 toneladas de Isocianato de Metilo (MIC) vazaram de uma fábrica de agrotóxicos da Union Carbide, corporação estadunidense, na cidade de Bhopal, capital de Madhya Pradeshcon, na Índia. O MIC entrou na corrente sanguínea das pessoas que o inalaram, causando danos aos olhos, pulmões, cérebro, sistema imunológico, reprodutivo musculoesquelético, na saúde mental e outros. Nos três primeiros dias morreram oito mil pessoas, e mais de meio milhão sofreram intoxicações graves.

O projeto da fábrica de MIC na Índia foi muito diferente daquele utilizado nas fábricas nos EUA, pois, havia menos dispositivos de segurança e materiais de construção de menor qualidade.  A Union Carbide iniciou uma campanha global de corte de gastos nos anos 80, quando a fábrica foi construída. Como parte desta estratégia, os sistemas vitais de segurança foram desativados, metade dos trabalhadores foi demitida, especialmente aqueles que reclamaram a piora nas condições de segurança no trabalho. Dezenas de milhares de crianças cujos pais foram expostos ao gás nascem até hoje com transtornos físicos e mentais. [1] 

        Ações desenvolvidas pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco

A Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco (SEVS) entende que para promover ações que garantam impacto na situação do uso de agrotóxicos é necessária uma abordagem intersetorial do problema observando a situação de uso e morbidade de dos trabalhadores(as) no estado de Pernambuco, bem como apresentando as ações a serem desenvolvidas com o objetivo de reduzir e combater o uso dos agrotóxicos no estado. 

A partir da publicação da portaria GM/MS 2.938, de 20 de dezembro de 2012, o estado de Pernambuco recebeu incentivo financeiro para implantar as ações de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos. A I Oficina de Vigilância em Saúde de Populações expostas a Agrotóxicos ocorreu na data alusiva, 3 de dezembro, no município de Barra de Guabiraba, a 126Km da cidade do Recife.


A oficina, prevista no Plano Estadual de Populações Expostas à Agrotóxicos, foi realizada pela Secretaria de Saúde de Barra de Guabiraba (IV Regional de Saúde) e foi pautada em vários temas que se aproximaram do dia a dia do agricultor, que diretamente ou indiretamente está exposto ao agrotóxico, bem como, sua família. Com o tema principal “Campanha de conscientização aos impactos do uso de agrotóxicos e transgênicos”, a oficina teve a contribuição do Fórum Pernambucano de combate aos efeitos dos agrotóxicos e transgênicos – FECIAT-PE. O início foi marcado com a exposição do filme “O veneno está na mesa” trazendo depoimento de agricultores que já se expuseram a agrotóxicos e também aqueles que aderiram à produção orgânica. Em seguida palestras com conteúdos sobre: Os impactos do uso dos agrotóxicos na saúde (SES-PE); Fiscalização do comércio, uso e aplicação de agrotóxicos e a contaminação ocupacional e dos alimentos (ADAGRO); Os defensivos naturais: uma alternativa sustentável (IPA); Orientação quanto à coleta, descarte e lavagem das embalagens dos agrotóxicos (ARPAN); e em paralelo, ações de saúde implementadas pela Secretaria Municipal de Saúde para os agricultores como: vacinação, testes rápidos (HIV e Sífilis), aferição de pressão arterial e dosagem glicêmica.


O resultado dessa oficina culminou em realização de ações de educação em saúde entre equipe de saúde da família e trabalhadores rurais cadastrados nas Unidades de Saúde da Família, além de contribuir para o conhecimento dos agricultores sobre a toxicidade do agrotóxico, sobre a opção de utilização de produtos menos tóxicos, sobre a legislação referente a esses produtos, necessidade do autocuidado e a redução de riscos para prevenção de doenças e agravos relacionados ao trabalho.



[1] (https://contraosagrotoxicos.org/justica-para-bhopal/).


11 de dez. de 2019

Convite: Pesquisadoras do Laboratório Saúde, Ambiente e Trabalho (Lasat - Fiocruz/PE) organizam lançamento de livro

Dia 13/12 (sexta-feira), ás 17h, no Armazém do Campo (R. do Imperador Pedro II, Av. Martins de Barros, 387 - Santo Antônio, Recife - PE, 50010-240) ocorrerá o lançamento dos livros "Conflitos e injustiças na instalação de Refinarias, os caminhos sinuosos de Suape, Pernambuco" e "Saúde do Campo e Agrotóxicos: vulnerabilidades sócio-ambientais, políticos-institucionais e teórico-metodológicas"

A publicação é organizada pelas pesquisadoras e docentes Aline Gurgel, Idê Gurgel e Mariana Olívia dos Santos. O livro conta com a participação de diversos autores que compõem a Rede Nacional de  Atenção Integral à Saúde do Trabalhador. 

Para quem não puder comparecer ao lançamento, os materiais também estão disponíveis no formato de e-book. Para download, clique aqui e aqui. 


 

29 de nov. de 2019

Informe nº5/2019 Intoxicações Exógenas Relacionadas ao Petróleo


A Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde , por meio da Gerência de Saúde Ambiental e do Trabalhador, da  Coordenação de Vigilância de Populações Expostas à Contaminantes Químicos e Físicos e da Área de Técnica de Intoxicações Exógenas divulga o informe nº 5/2019 que aborda as Intoxicações Exógenas Relacionadas à exposição ao Petróleo no litoral de Pernambuco.

Até o dia 25/11/2019 foram notificados 149 casos suspeitos de intoxicação por petróleo em Pernambuco (figura 1). Outros 23 casos informados pelos municípios estão sendo analisados pelas Secretarias Municipais e Estadual de Saúde, já que as fichas de notificação não possuem informações, como sinais e sintomas e agente tóxico, e estão em processo de qualificação pelos municípios. Casos de pacientes residentes em outro estado (N=03) também não foram incluídos nesse informe.

Parta acessar o informe completo, clique aqui. 


IV Fórum de Saúde do Homem e do trabalhador/ II Mostra de Experiências Exitosas são realizadas na XI Geres



No dia 22/11, sexta-feira,  foi realizado o IV Fórum de Saúde do Homem e do Trabalhador com o tema: Saúde Mental em Foco. O evento foi realizado pela XI Geres em parceria com o Cerest Estadual Pernambuco. Pela manhã foram realizadas 03 palestras: Dr. Breno, médico urologista, docente da UPE - Campus Serra Talhada enfatizou a saúde do homem. Logo após foi apresentado por Ana Lúcia, Psicóloga do Cerest Estadual Pernambuco o perfil dos transtornos mentais relacionados ao trabalho no Estado de PE e aspectos relacionados a prevenção do adoecimento mental no trabalho. Em seguida Heleno Nunes, psicólogo e docente da UPE - Campus Serra Talhada enfatizou os agravos relacionados aos Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho.

No turno da tarde houve a II Mostra de Experiências Exitosas para atividades/ações relacionadas à Saúde do Homem e do Trabalhador  enfatizando a saúde mental. A mostra teve como avaliadores representante do Cerest/PE e de instituições de ensino superior do território.

Foram inscritos 19 experiências exitosas dos 10 municípios da XI GERES (Serra Talhada, Betânia, Calumbi, Carnaubeira da Penha, Flores, Floresta, Itacuruba, Santa Cruz da Baixa Verde, São José do Belmonte e Triunfo) e desses, foram apresentadas 18 experiências, sendo premiados: